Silvio Guerini

Não existe outro hoje senão o agora!

Textos


Feliz qualquer ano!

Que o próximo verão...
e que todos o vejam
traga nas tépidas mãos
os verdes que vicejam
nos campos pelo sol ensolarados
lavados por furiosas tempestades
que fazem das terras chãos abençoados
pelas mãos de nossas doces divindades
que prenunciam, então, semeaduras
do próximo outono que vai chegar
e que todos se lambuzem das farturas
da mistura de terra, de sementes e de ar
que dos campos brotam abundantes
como alimentos do corpo e da alma
que feito generosas gestantes
parindo seus frutos com amor e calma
generosamente nos legam doçura
que vai restar na boca como lembrança
quando o céu, então, se transfigura
no próximo inverno que cruel avança
e que todos tenham no peito a chama
que nesse tempo de dura escuridão
seja da alma a voz que reclama
e que no final nos dispa da ilusão
posto que a pele que nos veste
que se arrepia no contato com o frio
é como se fosse um manto celeste
que nos protege dum destino sombrio
e feito criaturas da noite
que fogem atrás dos raios de sol
como um cão que foge do açoite
buscam pelas cores do novo arrebol
que prenuncia na próxima primavera
desavergonhada e enigmática aurora
que no brilho e nas cores exagera
e que todos dela se fartem agora
na mistura de brilhos e tons
de tantos cheiros e perfumes
de jardins sedosos de crepons
que seduzem amantes vaga-lumes
que no auge de suas paixões
fazem amor enfeitiçados
deixando no rastro das afeições
como potes de mel açucarados
o gosto do novo verão
e que todos o vejam outra vez
que traga agora nas mãos
vestidos da mais pura lucidez
o sentido real de tudo isso:
um ano não acaba... nem outro começa
não tem nem mágica... nem feitiço
é só a vida que caminha sem pressa
é a alma que busca lá fora
um tesouro que já carrega por dentro
e quando dum ano se vê nova aurora
olha, então, pro seu peito... no centro
e vê que aquilo que chama de tempo
é dos deuses mero brinquedo
puro ardil... seu passatempo
fazendo de nós... malfeito arremedo
da sua imagem e criação
por isso, um ano não acaba... e outro começa
isso é fruto da nossa imaginação
da vida que corre sem pressa
que busca no tempo que ligeiro passa
um lugar na tão sonhada eternidade
e mesmo que tanto tente... que tudo faça
é dos deuses refém... de sua vontade


29 de dezembro de 2007, 2h50
guerinis@uol.com.br


Poema inspirado na canção “Criaturas da Noite” d’O Terço
Silvio Guerini
Enviado por Silvio Guerini em 01/01/2008
Alterado em 01/01/2008
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